Acredito no Brasil - por Leandro Malósi Dóro
Creio no desenvolvimento do Brasil. Eu, que moro no sul do Brasil, penso que estamos próximos de nos tornarmos Primeiro Mundo. Estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) afirma que, se o país mantiver seus atuais índices de crescimento do emprego, em 2016 o país pode ter apenas 4% da população em situação de pobreza extrema (menos de ¼ de salário mínimo), o que nos une ao primeiro mundo. O começo da exploração da camada pré-sal e a exploração do biodiesel também sinalização para um aumento exponencial do desempenho econômico nacional. Porém isso não basta. Precisamos atingir excelência em outros setores para nos tornarmos uma grande nação. Os recursos estão aí para serem explorados. Pesquisadores locais poderiam desenvolver um refrigerante baseado no chá mate, para contrapor os baseados em cola. Evo Morales provocou os norte-americanos criando a Coca-colla, porém a folha de coca é produzida nos países latinos. Nós temos o chá mate, que nos anos 60 foi proibido de ser vendido nas ruas de Porto Alegre, por exemplo, devido ao lobby da Coca-cola – a norte-americana -, para reduzir a concorrência contra sua bebida viciante. Ainda, creio, é preciso explorar o jambú. Essa folha é comum no norte do país. Amortece os lábios de quem a consome e poderia ser base para alimentos industrializados com características nacionais, que iriam diferir extremamente de qualquer outro concorrente. Nenhum país é de primeiro mundo se não tem uma marca nacional de veículos. O país já teve a Gurgel, agora possuí apenas fábricas das filiais das empresas alemãs, norte-americanas, japonesas, inglesas e francesas, tornando nossas ruas um desfile de marcas do Primeiro Mundo. A prova de nossa capacidade é que a Ford utilizará o motor do Fiesta, produzido no Brasil, em automóveis para os Estados Unidos. Um bom grupo de empresários locais e uma bela linha de financiamento do BNDES seriam bem-vindos para começar o projeto da marca nacional. A mesma estrutura para produzir automóveis nacionais, creio, deve ser válida para fábricar veículos militares para suprir o exército brasileiro. Até os anos 80 o Brasil tinha a Engesa, que produzia jipes com tração nas quatro rodas para o exército brasileiro. A empresa faliu e hoje o país compra veículos militar via concorrências vencidas apenas por multinacionais. O mesmo vale para armamentos. No Rio Grande do Sul há a Taurus, que produz revólveres exportados para diversos países. Esse conhecimento deveria ser utilizado para criar armas de repetição às Forças Armadas do Brasil e exportar para demais países. Muitos dirão: para quê comprar armas? O Brasil nunca provocou guerras. Correto. Entretanto a tecnologia para fins militares em geral fomenta uma série de indústrias que poderão ser utilizadas para fins pacíficos. A autonomia gera lucros. Os EUA, que se autodenominam polícia do mundo, vendem armamentos para todo o mundo e tem diversas empresas nacionais em sua folha de pagamento, entre elas a inofensiva Kellogg's – a mesma dos cereais matinais -, que revende rações aos soldados norte-americanos em um convênio lucrativo para a empresa e que sem dúvida lhes dá fôlego para buscar mercados internacionais para expandir sua empresa. A música de massa é outro espaço que precisa ser melhor conquistado pela mídia local. O cancioneiro popular é atingido com êxito – sertanejo, pagode, axé, etc. - são gêneros com público cativo e vendas garantidas. Entretanto a classe média é refém dos Top 40 norte-americanos e dos seriados da Disney que revendem periodicamente artistas para pré-adolescentes que irão crescer fiéis a cultura anglo-saxônica e muitas vezes se recusando a ouvir canções em português. Criar emissoras com músicas locais seria a chance que teríamos para explorar esse lucrativo mercado feito de licenciamento de marcas e imagens de artistas que, ao invés de serem estrangeiros, podem ser os nossos e com uma seleção de ritmos locais. As repartições públicas também precisam ser reformuladas. A pesquisa científica deve ser a principal tarefa dos novos funcionários públicos. Descobrir medicamentos, recursos tecnológicos, explorar terra e espaço e desenvolvermos nanotecnologia nacional são exemplos de tarefas que poderiam ser impulsionadas pelo setor público. A iniciativa privada pode auxiliar a financiar e usufruir dos resultados das pesquisas. No momento temos isso nas universidades federais. Porém a amplitude dessas pesquisas pode ser aumentada em diversas vezes se existir o interesse governamental. O país caminha nos trilhos desenvolvimentistas, para felicidade da nação. Todavia precisa assumir esses e outros desafios para ser gigante.
Escrito por Doro às 20h59
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