A burguesia chegou ao poder a partir de revoluções. A primeira foi a Revolução Gloriosa (1688), na Inglaterra. Seguiu-se da Revolução Francesa (1789). Em ambas, houve derrubada da corte para ascensão dessa classe – a mesma, hoje, vítima do Primeiro Comando da Capital (PCC) e demais desdobramentos do narcotráfico do crime no país.
A crise dos presídios deflagrada em São Paulo e disseminada pelo Paraná e Mato Grosso do Sul pode ser mais uma das etapas dessa guerra entre narcotráfico e instituições que defendem os 40% da população brasileira dependentes, direta ou indiretamente, do Estado – seja governo federal, estadual ou municipal - e composta por elite e classe média.
Os 60% restantes da população são desamparados do Estado. A maioria não tem esgoto, água realmente potável, energia elétrica a preço razoável, educação de qualidade e instituições para se organizar – sindicatos, associações, clubes e cooperativas. Ainda são vítimas de extorsão das elites, que oferece crédito a juro aviltante, telefonia celular a alto custo, propagandas estimulando o consumo e deificando as coisas – uma calça, um tênis ou automóvel, segundo a mídia, podem mudar a vida de qualquer pessoa, ao invés da educação ou da organização.
Os debates, veiculados na mídia, sobre segurança pública apresentam como solução a ampliação do poder da polícia e não o oferecimento de infra-estrutura mínima. Lula apontou a educação como solução para o fim da pobreza e da marginalidade.
A grande mídia repeliu esssa postura, assim como a elite nega qualquer melhoria a população carente, não vinculada ao poder. Isso, creio, é herança de uma sociedade escravocrata de origem portuguesa, que considera o trabalho braçal indigno e escolhe a segregação como base da constituição e manutenção do poder – como se o Brasil fosse um Império Romano, que busca escravos dóceis e chacina os que se rebelam contra essa domesticação.
Ignorar a miséria é a postura reinante – causando a chamada invisibilidade social, que revolta a população carente que, em parte, utiliza as armas de fogo como forma de se tornarem visíveis a sociedade e, portanto, importantes, de alguma forma – tese defendida por diversos sociólogos, quando vislumbram situações de choque entre pobres e classe média.
Sendo invisíveis, não tem influência política, portanto agem com violência para obtê-la, como analisaria a pensadora Hanna Arendt.
A resolução dessa crise, acredito, é primeiro a redução dos bens oferecidos pelo Estado aos 40% da população e a ampliação do espectro de benefícios as comunidades carentes. Exemplo do que tem sido feito, são programas como Bolsa Família, aumento do aproveitamento de mão de obra, a melhoria da renda provocada pelo aumento real do salário mínimo, entre outros.
O resultado positivo desses programas foi verificado pelo Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada (IPEA), em estudo divulgado no último dia 17 de maio.
Porém, os programas de inclusão devem ser ampliados, aliado a uma campanha de reeducação da classe média, para reduzir os efeito das posições que aproximam o Brasil dos níveis de tensão entre judeus e palestinos em Israel e Faixa de Gaza.
Incluir é pacificar.