Revolta dos Motoqueiros está a venda pela internet
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O livro Revolta dos Motoqueiros (80pag, R$12, ed. Boleadeira Voadora), de Leandro Malósi Dóro, está a venda por R$12 mais custos de frete a partir do dia dez de setembro pelo e-mail leandrodoro8@hotmail.com e, na próxima semana, nas livrarias de Porto Alegre. Trata-se de uma novela, ilustrada com desenhos e fotos, em que o autor recria o episódio-título do livro, que ocorreu na cidade de Passo Fundo (RS) em fevereiro de 1979. Na época, 10 mil pessoas se rebelaram contra as autoridades após o assassinato do motoqueiro Clodoaldo Teixeira (17), que fugiu de uma batida policial e foi alvejada por membros da brigada militar a porta de sua casa. A revolta gerou mais duas mortes: Adão Faustino e Joceli Joaquim Macedo, ambos em tumulto diante do CPA3, na Avenida Brasil. "Faço ficção. Os nomes e fatos foram alterados para deixar clara essa opção. Quero trabalhar o mito sobre a Revolta dos Motoqueiros e não interferir em tarefa de historiadores", enfatiza o autor, que também ilustrou a obra. O livro tem estética e narrativas voltadas ao público jovem. O posfácio é do historiador André Martinelli Piasson, mestrando cuja dissertação é sobre a Revolta. "Alguns elementos que estão no livro são resultado da pesquisa de Martinelli", diz. O jornalista Argeu Santarém é homenageado na abertura do livro. "Por mais de 20 anos, Argeu escreveu e narrou esse episódio. Escutei-o contar o desenrolar da revolta quando adolescente. Auxiliou-me a compreender melhor aqueles fatos que presenciei na infância, mas não entendia", afirma o autor, que tinha quatro anos quando ocorreu esse levante popular. "Lembro das motos e policiais nas ruas e o clima de medo, nos adultos." Os confrontos reais, na época, envolveram milhares de pessoas. Confome o historiador Piasson, "em 6 de fevereiro de 1979, um cortejo com cerca de dez mil pessoas, acompanhado pelos pedestres que se aglomeravam à beira das calçadas, levou o corpo de Clodoaldo Teixeira ao cemitério da Vila Petrópolis. A Avenida Brasil, que atravessa a cidade, ficou tomada por pessoas, carros e motocicletas. Ao retornarem ao centro da cidade, pretendendo fazer manifestação semelhante a da noite anterior, os integrantes do cortejo encontraram as ruas de acesso à Praça Marechal Floriano fechadas por homens e viaturas da Brigada Militar. Com pedradas, os manifestantes forçaram os policiais a se retirarem para o Comando de Policiamento de Área/3 (CPA/3) que ficava em frente ao prédio da antiga prefeitura, também na região central de Passo Fundo. No confronto, os manifestantes tombaram uma viatura policial e atearam fogo nela. "
Autor Leandro Malósi Dóro nasceu em 25/10/1975, em Passo Fundo (RS). Trabalhou como cartunista e editor de cadernos infantis de 1993 a 1995, no jornal O Nacional. Em 1996, foi funcionário na fundação do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider. No mesmo ano tornou-se jornalista no Diário da Manhã. Em 2001, mudou-se para Porto Alegre (RS) e fundou a revista Gauchinho, distribuída por uma rede de supermercados. Fez Oficina de Criação Literária com Luis Antônio de Assis Brasil e Crônica com Moacyr Scliar. Atua com assessoria de imprensa e integra a Grafistas Associados do Rio Grande do Sul (Grafar). Participou de exposições, como cartunista, na França, Portugal, Alemanha e Bosnia Herzegovina, além de exposições em Porto Alegre, Rio Grande, Santa Maria, Passo Fundo e Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Em 2005, ganhou segundo lugar na categoria estreante no concurso Sabbis de Desenho Animado, em Garibaldi (RS). No mesmo ano, organizou o livro Edição de Risco, reunindo um breve portifólio de 32 artistas gráficos gaúchos - a primeira após 30 anos da primeira publicação nesse estilo no Estado. Ainda esse ano, integra duas coletâneas sobre humor e um livro com literatura em quadrinhos. Mantém o blog http://leandrodoro.zip.net
Trechos ""O sol ofusca o motoqueiro, que sente a testa oleosa de suor. Vendo aquela luz cegante, ouve tiros. Seu braço direito e o peito formigam, esquentam e ardem". "Desequilibra-se. A moto rodopia até a calçada, jogando-o para o outro lado da rua. Cai quase em frente à casa dos pais. Sua cabeça quica como bola de basquete. O céu, antes azul, avermelha-se. Ouve a voz de soprano de sua mãe gritar: "filho". Sente um abraço de mulher gorda e suada, embalando-o como se fosse um bebê. Gustavo sabe que chegou em casa pela última vez." Artigo Retomar a revolta
O último episódio de contestação da população de Passo Fundo e região contra autoridades, com conseqüências fatais, foi a Revolta de Motoqueiros - espécie de levante popular ocorrido entre cinco e sete de fevereiro de 1979. O estopim foi o motoqueiro de 17 anos, Clodoaldo Teixeira, ter sido perseguido e alvejado por policiais militares em frente à casa dos pais após fugir de uma batida policial. O assassinato ocorreu em um período especial. Havia desacordo de camadas da população com as lideranças militares, devido à truculência de alguns oficiais e os desmandos de uma ditadura militar que apresentava sérios sinais de agonia, devido à crise econômica mundial iniciada em 1974 e ao autoritarismo que tolhia a liberdade de expressão e de, portanto, intervir nos rumos da cidade ou da nação.. Os mais profundos exemplos desse descontentamento eram as greves dos metalúrgicos no ABC paulista e um ainda insipiente movimento de redemocratização, reforçado pela volta dos exilados pela ditadura militar, entre eles Leonel de Brizola - o caudilho que enfrentou os militares, quando governador, com a Campanha da Legalidade. Havia, também, o ressurgimento da luta pela reforma agrária, impulsionada pelo movimento dos atingidos por barragem, na Encruzilhada Natalino, próxima a Passo Fundo. Na cidade, os motoqueiros e cabeludos eram perseguidos pelos policiais. O assassinato de Clodoaldo gerou revolta dos motoqueiros e da população contra a brigada militar, cujas lideranças se negaram a punir os responsáveis. Os protestos iniciaram com a tentativa de linchamento do autor dos disparos, por parte da vizinhança, e alastrou-se pela cidade por mais três dias, envolvendo cerca de dez mil pessoas e gerando a morte de outros dois jovens: Adão Faustino e Joceli Joaquim Macedo - ambos mortos em protesto diante do CPA3, na Avenida Brasil. O episódio marcou o cotidiano dos passofundenses e o imaginário da nova geração. Muitos dos envolvidos mudaram-se do município, após o ocorrido, seja por perseguição ou busca de melhores oportunidades. Os que permaneceram ou, na infância, foram marcados pelo episódio, compuseram lados distintos da bipolar sociedade local. Estão nos setores mais diversos - indústria, comércio, comunicação, serviços, entre outros. Rediscutir a intitulada Revolta dos Motoqueiros é uma forma de buscar um importante naco do imaginário local. Redescobrir os motivos pelos quais determinados grupos se estruturam e a repercussão disso nas gerações que convivem na região. Leandro Malósi Dóro - leandrodoro8@hotmail.com (51)99789346
Escrito por Doro às 12h23
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