Renato Gava, jornalista do Diário Gaúcho, executou bela matéria sobre a Revolta dos Motoqueiros para a seção Planeta Moto - coluna veiculadas às quartas-feiras e a mais longeva desse jornal. A íntegra da reportagem, publicada nesse 15 de novembro, segue abaixo. A primeira foto, do cortejo fúnebre de Clodoaldo Teixeira, é do banco de dados do Diário Gaúcho/Zero Hora. A segunda, comigo, foi clicada pelo veterano Luiz Armando Vaz - ex-colega de Zero Hora do Caxambú, fotógrafo que executou fortes imagens do conflito reproduzidas, na época, no jornal O Nacional, de Passo Fundo.
Eis a notícia:
Conflito de moto que parou cidade vira livro

Resumo da notícia: A Revolta dos Motoqueiros, livro do jornalista Leandro Dóro, mostra uma manifestação de motociclistas, em 1979, que resultou em três mortos
Está chegando às bancas um livro que conta uma das mais impressionantes e polêmicas histórias envolvendo motos no Rio Grande do Sul. A Revolta dos Motoqueiros, como ficou conhecida a série de problemas ocorridos em fevereiro de 1979, em Passo Fundo, é relatada pelo jornalista Leandro Malósi Dóro, 31 anos.
O problema começou quando um jovem de 17 anos, sem passagem pela polícia, fugiu de uma blitz de trânsito e, quando estava em frente de sua casa e descia da moto, foi morto por policiais com um tiro nas costas, na frente dos pais.
O ocorrido gerou revolta na cidade. Houve tentativa de linchamento do brigadiano e o quartel da Brigada Militar foi cercado.
Manifestantes recebidos à bala
No dia seguinte, cerca de 10 mil pessoas organizaram manifestação nas ruas. Foram recebidos à bala pelos policiais. Mais duas pessoas foram mortas - uma delas, curiosamente, filha de um policial da reserva.
O conflito tomou dimensão e o Exército teve de intervir. No total, três pessoas morreram e cerca de cem ficaram feridas. A história até hoje comove a população da Zona do Planalto.
- Era a época da ditadura militar. Por um tempo, o tema virou tabu, as pessoas nem comentavam mais - conta o autor, que, à época, morava em Passo Fundo.
Comparação com motoboys

Dóro lembra que, em 1979, os motociclistas eram vistos como rebeldes e "subversivos", termo bastante usado pelos militares. Ele compara a situação daquela época com a vivida hoje pelos entregadores:
- Hoje, o pessoal não valoriza os motoboys, que são pressionados a correr cada vez mais para fazer as entregas. Há um preconceito, como havia naqueles anos.
Fique por dentro
O que: Livro de ficção baseado na realidade A Revolta dos Motoqueiros, com 84 páginas, incluindo fotos e ilustrações
Onde: Principais livrarias da Capital, como Saraiva, Banca da República
Quanto: Preço médio de R$ 12
Mais informações: telefone (51) 9978-9346 e site http://leandrodoro.zip.net