"Leandro: li os contos (os curtos) e gostei muito! Você tem um excelente domínio da narrativa curta. Receba os parabens e o abraço do Moacyr"
Esse e-mail mínimo de um imortal e, antes disso, um dos escritores que mais admiro desde a infância, foi o maior presente que podia receber nesta última segunda-feira, 21/5. Aprendi, com Scliar, a contar histórias cotidianas, quase corriqueiras, e exercitar a narrativa. Releio Max e os felinos e noto como ele consegue fazer render e ao mesmo tempo enxuga a narrativa, recobrindo o leitor de prazer. Uma vez ele ensinou: "se existem tantos livros no mundo, para que perder tempo com um livro chato". E assim li ainda mais. Outra vez, em 2001, ele me mandou um e-mail de incentivo, para continuar a escrever, e segui a risca. No mesmo período, outros escritores me desestimularam quase ao ponto de atingir o desespero. No mesmo ano, fui seu aluno em uma oficina de crônica, onde mantinha-se tranquilo e doce mesmo com os alunos mais exaltados.
Outro escritor que leu e fez crítica de meus trabalhos é Amilcar Bettega Barbosa, ganhador do prêmio Portugal Telecon de Literatura com Os lados do círculo - livro de contos que foi sua dissertação de Mestrado em Letras, na PUCRS. Tão atencioso quanto Scliar, Bettega foi mais analítico e comedido quanto aos meus contos, como revela o e-mail abaixo:
"Olá Leandro,
desculpe pelo tempo que levei para te responder.
Finalmente li teus textos. Acho (e penso que você está de acordo) que ainda não estão prontos, mas há neles uma coisa interessante: essa humanização das coisas e de tudo o que não humano (árvore, pedra, calçada, sofá, e por aí vai). Gosto disso, é um pouco desestabilizador. Há um escritor que gosto muito e que é um mestre nisso: o uruguaio Felisberto Hernandéz, não sei se você conhece. Acho que é uma leitura que te interessaria. Seus relatos são perturbadores muitas vezes; é um dos meus escritores preferidos.
Se você tiver a oportunidade de lê-lo, não perca!
Abraço do
Amilcar"
Depois disso, tive oportunidade de participar de um sarau, junto com Bettega, Daniel Galera, Daniel Pellizari, Paulo Scott, Cardoso e muitos outros. Conversamos e, no sábado seguinte, entrevistei Bettega junto com Fernando Ramos, editor do jornal Vaia — http://www.jornalvaia.com/. Dias depois, Bettega retornou a França, onde é professor de português na universidade de Paris 3. A entrevista será publicada, nos próximos meses.
Aproveitando a oportunidade, o jornal Vaia promoverá um Sarau no bar Outros 500, na João Alfredo, em Porto Alegre, no próximo sábado, 26/5, onde participo ao lado de Ricardo Silvestrin, Mário Pirata e outros.