Cartunista deveria responder com piadas, qualquer manifestação política. Porém, as vezes, o fato é tão chocante que me falta o humor. O movimento Cansei é orquestrado pelos herdeiros de proprietários da capitanias hereditárias, que se tornaram senhores de escravo, representados pelo Partido Conservador, que mudou de nome para, respectivamente, Partido Monarquista, Partido Republicano Paulista (PRP), Partido Constitucionalista, União Democrática Nacional (UDN), Partido Democratico Social (PDS), Aliança Renovadora Nacional (Arena), Partido da Frente Liberal (PFL) e, finalmente, Democratas (DEM).
Esse mesmo grupo que organizou a passeata Deus Pátria e Família, que deu fim a democracia do país em 1964, volta a carga com o movimento Cansei. Reúne representantes da elite e da classe média subserviente aos principais grupos econômicos para retirar do poder o Partido dos Trabalhadores, herdeiros diretos de um histórico político que remonta Tiradentes.
A Federação das Industrias de São Paulo (FIESP) e a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), herdeiros das capitanias hereditárias, contrataram como marionete a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para fazer a suja tarefa de criar a campanha Cansei. Essa marcha esdrúxula, se não tiver sua origem autoritária logo revelada, pode redundar em novos anos de aumento da desigualdade social e benefício a grupos minúsculos, que expulsam, economicamente, brasileiros de seu próprio país.
Sinto ter de expressar minha postura política dessa forma, mas me preocupa os rumos que o Brasil pode seguir, se os conservadores retomarem o poder, voltando a privilegiar apenas alguns grupos econômicos, sem conceder os hoje extensos benefícios a diversos setores da população. Leia-se como benefícios, linhas de financiamento que proporcionam a população fugir dos juros exorbitantes das financeiras, acesso a casa própria, a bens de consumo e a universidade.
Pretendo voltar a esse assunto em nova oportunidade. Precisamos nos desalienar e lutar.
Sugiro a leitura do balanço econômico do primeiro mandato do governo Lula, realizado pelo diplomata Paulo Roberto de Almeida, e acessível na página http://www.espacoacademico.com.br/058/58almeida.htm