Os automóveis, igual a glóbulos brancos e vermelhos, locomovem pelas vias. Através do sangue-combustível, transportam ar e energia provinda dos seres — motoristas e passageiros. Muitos desses humanos são, também, sistema nervoso. Informam ao organismo-cidade o que deve ser feitos.
Esses humanos observam os anúncios, a beira da estrada, ouvem rádio e consomem informações via celular, internet, livros, jornais e televisores. Julgam uns aos outros e tem lembranças, associações de idéias e metas. Consomem alimentos, que serão transformados na energia que transportarão pelos órgãos e tecidos urbanos.
A posse dessas informações e de energia auxilia na escolha e execução das tarefas. Cada passageiro irá desembocar em edifícios, casas e praças — estruturas que serão alimentadas pelos corpos que provém dos veículos. Alguns glóbulos espatifam-se nas estradas, matando ou mutilando a energia vital das cidades.
Outras unidades de energia, seres, palmilham as estradas. São independentes dos glóbulos, ao menos temporariamente. Mesmo sem acidentarem-se em glóbulos, algumas unidades de energia morrem, devido a causas diversa. Outras nascem e assim o organismo-cidade segue crescendo igual a cultura de fungos.