Vânia era uma garota como outra qualquer. Morava em seu apartamento em um condomínio com outros seiscentos e setenta e dois apartamentos. Todos pagando luz, condomínio, telefone, aluguel ou parcela de financiamento ou, ainda, dando moradia para alguma sogra ou outro parente descabido. Para ir ao trabalho, demorava cerca de uma hora e meia. Para voltar, outra hora e meia. Ao chegar em casa, subia quatro lances de escada, as vezes com alguns quilos de compras distribuídas em frágeis sacolas plásticas.
Revoltada por derrubar uma melancia escada abaixo no dia de folga da faxineira do condomínio, decidiu convocar os moradores para uma reunião extraordinária.
Convenceu-os a buscar a Terra Prometida. Partiram, então, em um domingo de manhã rumo ao campo. Depois de três dias de viagem em ônibus e caminhões fretados com mudança de mais de seicentos apartamentos, encontraram uma área rural desabitada. Ali, Vânia chamou de Terra Prometida. E construíram, então, suas casas.
Vaniópolis, fundada em março de 1993, obteve verba do governo federal para ser estruturada e os moradores que venderam seus apartamentos investiram em belas casas. A atividade rural e urbana se tornaram fonte de renda. E a comunidade vive feliz, com seus cinco mil oitocentos e setenta e dois habitantes, mil e dois gatos, oitocentos e quarenta cães e doze tartarugas.