Debates entre público e escritores. Conversas em bares, restaurantes e cafés. Troca de livros. Troca de idéias. Esses foram os resultados da Festa Literária de Porto Alegre. Porém o maior presente resumiu-se em uma frase: "A FestiPoaLiterária é um marco na literatura gaúcha". Esse presságio partiu do escritor e doutor em Letras Luis Antônio Assis Brasil, durante mesa com Donaldo Schüller, mediada pelo poeta Ricardo Silvestrin.
Creio nesse rumo para a FestiPoaLiterária. Essa é a primeira festa literária realizada na cidade. Difere da Feira do Livro, que tem como principal objetivo a venda de livros. A Festa reuniu oficialmente mais de 50 escritores, além de músicos e demais autores que assistiram os debates ou participaram de saraus e confraternizações.
As proporções desse encontro foram ideais para uma primeira festa. Em cada debate havia cerca de 60 participantes. Em alguns, como o dos novos autores, houve discussão acirrada. Em outros, como o em memória a Paulo Hecker Filho, respeito e lembranças.
Em todas as mesas, enfatizou-se a cerne do trabalho do autor — idéias e textos —, mais que sua biografia. Os jantares e noites em bar serviram para os escritores conhecerem-se melhor, trocarem impressões sobre suas obras e saberem das demais atividades literárias no país.
Continuar com essa festa, agora, é o principal objetivo para os organizadores. Os encontros de escritores acontecem, no país, desde os anos 70. Autores, como Ignácio Loyola Brandão e Deonísio da Silva, viajavam o Brasil apresentando seus trabalhos. Em 1980, a professora Tânia Rösing concretizou um projeto do escritor e jornalista Josué Guimarães: criar uma Jornada Nacional de Literatura, que ocorre a cada biênio em Passo Fundo (RS). Reúne, desde os anos 90, cerca de 15 mil pessoas. Em 2003, foi lançada a Festa Literária de Parati. Pela proximidade com as capitais paulista e carioca, atrai milhares de pessoas que querem assistir autores, comprar livros ou simplesmente sentir o ambiente literário ao seu redor.
A FLIP resultou em dezenas de outras festas, que ocorrem em diversas capitais. Porto Alegre nunca teve sua festa literária. Talvez porque se sentia suprida com a Jornada Nacional de Literatura e a Feira do Livro. Porém a Festa proporciona um ambiente de debate entre autores e público que difere das demais atividades literárias já existentes. Existe formalidade, em algumas mesas, mas também a troca de idéias direta. E isso é a essência da FestiPoaLiterária.
Para o evento se consolidar, é preciso que compareçam os acadêmicos dos diversos cursos de Ciências Humanas: Letras, História, Geografia, Jornalismo e outros. Eles devem colaborar na organização do evento e assistir as palestras. Os professores dessas instituições de ensino precisam conhecer os organizadores da FestiPoaLiterária e, desde já, planejar a próximo, em março de 2009.
Indicar, aos seus alunos, livros dos autores que irão participar da próxima Festa, para que possam travar debates mais consistentes.
Novos patrocinadores precisam ser prospectados e mais autores selecionados. Criar mesas com professores de história, jornalismo e letras. Ampliar as oficinas com autores e, no futuro, quando a Festa estiver consolidada, convidar as crianças. Essa, aliás, seria uma grande meta para a FestiPoaLiterária: crianças de todas as escolas da Região Metropolitana de Porto Alegre lendo os livros dos autores presentes e depois os conhecendo pessoalmente.
Mas esses são sonhos ou ideais, como preferirem. Porém o futuro está aí, aguardando iniciativas desses sonhadores que habitam, nesse momento, a terra.