Sou filho adotivo. Sábado, 25/10, fiz 33 anos. Minha mãe contou como fui adotado e, dessa conversa, descobri uma pauta jornalística importante nesses anos em que demoram cerca de cinco anos para um casal obter a guardar de um órfão. Os jornalistas, assim como eu, que quiserem fazer essa pauta, agradeço imensamente.
Nos anos anos 70, em Passo Fundo (RS), existiu a Associação das Mães Solteiras, coordenada por Heloisa Goelzer de Almeida, a primeira vereadora da cidade, eleita nos anos 60. Ela coordenou uma equipe que identificava mães solteiras que desejavam dar seus filhos para adoção. Esse grupo, então, localizava pessoas que quisessem adotar e executavam um procedimento para burlar a legislação para adoção.
Com consentimento das mães solteiras e alguns profissionais dos hospitais de Passo Fundo, as crianças eram retiradas do hospital logo após o parto e escondidas nas casas dos integrantes dessa espécie de clube pró-adoção.
Depois, a criança era deixada à porta da família interessada em adotar. Esse procedimento garantia aos pais adotivos a guarda da criança e eliminavam a burocracia para adoção. Um bebê encontrado à porta de alguém podia passar a habitar à casa, pois foi ali deixado. Depois, os pais adotivos passavam por uma via sacra burocrática que durava cerca de seis anos, em média, para obter a certidão de nascimento correta.
Esse grupo que auxiliava na adoção de crianças se desfez e, hoje, devido ao tráfico de crianças, a legislação para adotar crianças se tornou muito rígida. Muitas vezes os casais esperam tanto para adotar uma criança.
É criminosa essa burrice oficial, que busca evitar abusos, porém também impedem a adoção. É essencial encontrar um meio termo para permitir a adoção rapidamente, impedindo abusos. Em um momento como esses, a atitude da Associação das Mães Solteiras, creio, deve ser rememorada.