Revolta dos Motoqueiros: 30 anos
 Os 30 anos da Revolta dos Motoqueiros são lembrados neste dia 5 de fevereiro. Foi o último levante popular do interior do RS, com três mortos e envolvendo mais dez mil pessoas. Clique aqui e leia parte da reportagem publicada em O Nacional, de Passo Fundo (RS). Conheça o livro em http://revoltadosmotoqueiros.blogspot.com Leia, abaixo, notícia escrita pelo jornalista Tarso de Castro, noticiando o assassinato de Clodoaldo Teixeira. Esse fato foi o estopim do levante popular.:
Tiro nas costas Terça-feira, 6 de fevereiro de 1979 Por Tarso de Castro
Um fato grave que bem dá conta da violência, da irresponsabilidade e da falta de equilíbrio emocional que domina certas pessoas, encarregadas de manter a ordem, "proteger" a população e que por isso mesmo, tem sempre uma arma carregada na cintura, não para matar, mas para dar ao povo esta proteção, foi o que aconteceu com o menino Clodoaldo Teixeira, residente na rua Antônio Araújo, 170, esquina da Lava Pés. Ele foi morto com um tiro de revólver, acionado por um soldado PM, que juntamente com outros policiais militares, estava numa viatura da Brigada Militar, e que perseguia a vítima. Segundo uma das versões correntes da cidade, prestada por um dos advogados da família da vítima, o menor, depois de um acidente de pequena monta com um PM, sempre seguindo no percurso da firma Honda até sua casa, na rua Lava Pés com Antonio Araújo, foi perseguido por uma patrulha da brigada militar, quando vindo da Av. Brasil, Clodoaldo, tripulando uma moto Honda, entrou na rua Lava Pés, já próximo de sua casa, foi acertado por um disparo fatal, a uns 30 metros de sua casa, caindo do veículo mortalmente ferido. Enquanto os PMs afastavam-se rapidamente do local, o pai da vítima, Sr. Nelson Teixeira, socorria a vítima que já chegou sem vida no Hospital da Cidade.
Revolta Desde de que se confirmou a notícia do menino Clodoaldo Teixeira, a cidade ficou em grande agitação. Os motoqueiros da cidade, os quais conheciam muito bem a vítima, rumaram todos para o Instituto Médico legal e depois para a Delegacia de Polícia, onde já se encontravam em número de cem aproximadamente, com suas motos e seus gritos de protesto e revolta, afastaram-se da polícia quando souberam que o oficial do dia da BM, solicitado pela polícia civil a apresentar os PMs envolvidos na ocorrência, disse que estava "pensando" no assunto. Por volta das 21h o trânsito, no centro da cidade, estava completamente tumultuado, com um número ainda maior de motoqueiros, fazendo uma passeata de protesto, portando, inclusive, nas motos fitas pretas.
Escrito por Doro às 10h51
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