Mistério na casa dos Jackson
Meu nome é Paulo Kfoury. Trabalho como jornalista desde 1977. Fui arrebatado pelos Jackson Five e pelo Michael Jackson que conseguiu tornar-se o primeiro negro a ter um estilo sonoro que se tornou unânime para todas as raças. Entrevistei-o inúmeras vezes. Um mês antes de sua morte eu consegui uma última entrevista. Pediu-me para publicá-la apenas no lançamento de sua nova turnê, comemorativa aos 50 anos de carreira. Aceitei. Fui a sua mansão em Los Angeles. Alugada, mas imponente. Porém inferior a Neverland que foi o grande sonho de sua vida. E sua grande dor tê-la perdido. Michael abriu pessoalmente a porta de casa, em um gesto de humildade que nunca vi. Sorria e fazia piadas. Vestia um paletó branco, igual ao da capa do disco Thriller. Os móveis misturavam estilos europeus dos séculos XVI a XIX - igual a maioria das casas ricas dos EUA. Parecíamos estar a sós. Seus filhos e empregados não estavam. Vi apenas um único vulto. Era de um dos médicos do cantor. Conhecia-o desde os anos 90. Conversamos, eu e Michael, por cerca de uma hora. Em particular, reclamou de dores nas pernas. Há anos ele anunciou sofrer de problemas ósseos, resultantes dos anos de dança, má-alimentação e cirurgias que o debilitaram fisicamente. Ao final da conversa, o médico apareceu na sala. Michael remangou o paletó. Pediu para eu me afastar. Havia em seu braço direito uma espera para seringa. O médico injetou uma substância que, creio, seja Demerol, uma espécie de morfina. Foi a primeira vez que aceitou que eu visse esse ritual. Pediu para eu falar nada. Claro nos conhecemos há tanto tempo. Não o trairia. Michael pediu para o médico me acompanhar até a porta de casa. Jackson sentia-se cansado. Afundou-se na poltrona. Notei, na manga do jaleco do médico, um rastro de sangue seco. Despedi-me a porta da mansão. Pedi ao médico para, antes de sair, caminhar pelo pátio da mansão naquele final de tarde morno de abril. Ele consentiu e passeei por aqueles jardins. Observei a casa que provavelmente tenha estilo neoclássico ou possa ser classificada apenas como mansão de cinema, como se diz popularmente. As janelas tinham gelosias douradas. Notei barulho de motor de serra, ao fundo da casa. Provinha de uma janela do porão. Ali encontrei o médico de Michael e mais dois vultos também vestindo jaleco branco. Pareciam estar em uma espécie de sala de cirurgias. Um corpo jazia sobre a mesa. Seu rosto estava desfigurado. Ouvi latidos. E, como que saindo de um transe, corri para o portão da mansão. Cheguei esbaforido. Era final da tarde. O sol se punha e me sentia tonto. Era pelo exercício físico ou pelo odor que exalava daquele porão? Será que existia o porão? Decidi não pensar mais sobre o assunto. Agora, com Michael morto, relembro e busco como encaixar essa visão que tive com o falecimento do cantor. Chego em casa e leio as notícias e comentários na internet. Entre as piadas de fãs e detratores leio essa: Michael Jackson conseguiu o corpo de um sósia. O médico particular realizou a cirurgia para alterar as feições do cadáver. Michael pegou o dinheiro das apresentações em Londres. Livrou-se das dívidas com a Sony. Comprou uma ilha nas Bahamas e foi morar com seu ex-sogro, o Elvis. Parece uma boa piada. Porém e se ela tiver alguma verdade?
Escrito por Doro às 15h52
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Voltem, rábulas.
O Superior Tribunal Federal (STF) decidiu por oito votos a um a não mais exigir diploma para exercer a profissão de jornalismo. Por isso, defendo que, assim como era no século XIX e meados do XX, não se solicite diploma para ser advogado ou profissão que se tenha o direito como premissa. Se a pessoa passar na prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pode ser intitulado rábula e atuar sem qualquer prejuízo. Afinal, o direito é uma ciência jurídica, ou seja, humana. Está presente desde os primórdios da humanidade e suas noções básicas são de domínio público. Portanto, quem conhecer a estrutura dos tribunais e de legislação pode atuar como advogado sem prejuízo. Um cozinheiro, para exercer sua profissão, não precisa ter diploma. Mas se o tiver, melhor. Um advogado ou juiz, também não. Para ponderar sobre o assunto emito o discurso do principal advogado criminalista do país, que atuou como rábula até os 45 anos: A Formatura do Rábula Fonte: Grandes Advogados, Grandes Julgamentos - Pedro Paulo Filho - Depto. Editorial OAB-SP Evaristo de Moraes Consagrado como o maior advogado criminal do Brasil de seu tempo, Evaristo de Moraes somente veio a bacharelar-se aos 45 anos, em 1916, pela antiga Faculdade Teixeira de Freitas. Até então era um rábula. Discursando por ocasião de sua formatura, disse: "Eis-nos, enfim, bacharéis - como toda gente, dirão com sediça ironia, os impertinentes chasqueadores do bacharelismo... Todos recordamos o que disse, com experiência própria, o grande Cícero: a advocacia foi em Roma o viveiro das honras - "est corpus advocatorum seminarium dignitatum". Através dos séculos, vemos a advocacia enaltecida e glorificada pelo bens que promove, pelos males que evita: auxiliar da justiça, amiga natural da liberdade, inimiga capital da tirania, insuflando aos perseguidos coragem para afrontar os poderosos, a estes se impondo por sua sobranceira independência... seja permitindo ao recém-togado lembrar que, entre os muitos elogios prodigalizados à profissão da advocacia, é dos mais repetidos o do Imperador Leão, no escrito em que ele pondera que os advogados não são menos úteis à humanidade do que os que dão o seu sangue à pátria: "A nossos olhos, os defensores do nosso Império não são somente os que combatem armados do gládio, do escudo e da couraça; também o servem os advogados, estes que, com a modéstia convinhável à verdadeira eloquência, dão esperança ao desgraçado que sofre, protegem-lhe a vida e os filhos."
Escrito por Doro às 16h03
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